sábado, 29 de agosto de 2020
sexta-feira, 28 de agosto de 2020
DIÁRIO
13/12/1979 - O Joaquim do Rosário e o Fernando Maruta telefonaram dizendo que podiam policopiar o Boletim Informativo.
Fui com o Zé Maruta ao emprego do Zé Francisco Costa para falarmos sobre a capa. Ficou combinado que amanhã estará pronta e será entregue.
quinta-feira, 27 de agosto de 2020
quarta-feira, 26 de agosto de 2020
terça-feira, 25 de agosto de 2020
segunda-feira, 24 de agosto de 2020
JARDIM DO PADRÃO
9/12/1979 - Fui procurar um rapaz que costuma vender pássaros para lhe comprar vinte para o Jardim do Padrão. Negócio feito por 800$00. Entrega-os na sexta-feira antes do Natal.
domingo, 23 de agosto de 2020
EM TRABALHO ASSOCIATIVO
sábado, 22 de agosto de 2020
DIÁRIO
8/12/1979 - Contatei o Zé Francisco Costa. Dei-lhe os elementos para ele proceder à feitura da primeira página do Boletim Informativo nº 0 da Castra Castrorum.
Escrevi para o Grupo Coral anunciando a possibilidade de conseguirmos a gravação de um disco.
Escrevi para o Grupo Coral anunciando a possibilidade de conseguirmos a gravação de um disco.
sexta-feira, 21 de agosto de 2020
DIÁRIO
3/12/1979 - Fui à Biblioteca Nacional pesquisar dados sobre Castro.
Conheci o Dr. Arnaldo Soledade que me falou do Dr. Alves da Costa como estudioso da história do nosso concelho.
Telefonei ao Dr. Gito dando-lhe conhecimento da existência da Castra Castrorum e ele prometeu que iria colaborar connosco no Boletim Informativo.
Conheci o Dr. Arnaldo Soledade que me falou do Dr. Alves da Costa como estudioso da história do nosso concelho.
Telefonei ao Dr. Gito dando-lhe conhecimento da existência da Castra Castrorum e ele prometeu que iria colaborar connosco no Boletim Informativo.
quinta-feira, 20 de agosto de 2020
DIÁRIO
29/11/1979 - Telefonei à editora Sasseti.
Pediram-me que entregasse uma cassete do Grupo Coral para apreciação da qualidade do mesmo com vista à edição de um disco.
Pediram-me que entregasse uma cassete do Grupo Coral para apreciação da qualidade do mesmo com vista à edição de um disco.
quarta-feira, 19 de agosto de 2020
DIÁRIO
28/11/1979 - Fui à Direção Geral do Património Cultural buscar bibliografia sobre Castro.
Fui à Biblioteca Nacional tentar tirar algumas fotocópias dos livros indicados.
Telefonei para a Secretaria de Estado da Cultura (Animação Cultural) para saber informações sobre o nosso pedido de apoio para gravação do disco do Grupo Coral. Não me adiantaram nada.
Amanhã vou à editora Sasseti para saber do seu interesse na edição de um disco do Grupo Coral.
Fui à Biblioteca Nacional tentar tirar algumas fotocópias dos livros indicados.
Telefonei para a Secretaria de Estado da Cultura (Animação Cultural) para saber informações sobre o nosso pedido de apoio para gravação do disco do Grupo Coral. Não me adiantaram nada.
Amanhã vou à editora Sasseti para saber do seu interesse na edição de um disco do Grupo Coral.
CASTRO EM LISBOA
Com a feliz recordação da iniciativa, trazida para este nosso
convívio pelo José Francisco Colaço Guerreiro e também com a
publicação do respetivo folheto que anunciava a realização dessa
Semana do Concelho de Castro Verde na Casa do Alentejo em
Lisboa, não há que deixar passar a oportunidade de relatar
algumas das particularidades que envolveram a sua realização e
também uma história engraçada que ocorreu por essa ocasião.
Nessa semana de Abril de 82 a Casa do Alentejo era como que
uma extensão da vila de Castro, tal o ambiente bairrista que se
conseguiu criar no seu interior. Há que realçar o excelente
trabalho e empenho do Colaço Guerreiro, que foi, diga-se, o
grande impulsionador desta inesquecível Semana.
Por quase todo o interior do magnífico edifício havia motivos
alusivos a Castro Verde e ao seu concelho. Mas foi no átrio, ao
nível do 1º andar, que se situaram as melhores representações
do ambiente alentejano e castrense.
Aí estava colocada uma maqueta, em tamanho natural, de uma
parte de uma cozinha típica da nossa terra, onde não faltava
nada do que se possa imaginar numa cozinha de uma casa de
um simples assalariado rural daquelas e anteriores épocas.
Quem se aproximasse da zona da sua chaminé e se desligasse
do ambiente circundante do átrio do edifício, sentia-se como se
estivesse nesse momento numa cozinha real em Castro. Todos
os visitantes adoraram a obra.
Nesse átrio acamparam durante a semana, num pequeno redil
com a respetiva palha, duas ovelhas levadas propositadamente
de Castro. Fizerem também as delícias dos visitantes.
Lá estavam as bancas da Somincor e da Castra Castrorum (onde
passei algumas horas durante a semana).
O jogo de futebol que se referencia no folheto (de que fui um dos
organizadores), realizou-se no campo do Futebol Benfica.
Foi um bom convívio entre todos os participantes apesar do
resultado desnivelado para uma das partes.
Vamos agora à história que refiro no início deste escrito.
No último dia da iniciativa – sábado, 17 Abril – logo a seguir ao
almoço convívio, realizou-se uma espécie de tarde cultural.
De entre os vários participantes, constava a atuação do Grupo
Coral Os Ganhões de Castro Verde, programada para as 4 da
tarde.
Com o aproximar dessa hora não se vislumbravam Ganhões no
interior do edifício.
Foi dado o alarme geral. Ninguém sabia onde estavam os
elementos do Grupo.
Às tantas lá aparece alguém que os descobriu!...
Parece que se encontravam na zona do Coliseu dos Recreios,
que ficava (e fica) na mesma rua e a cerca de 50 metros da Casa
do Alentejo.
Vou abrir aqui um parêntese para contextualizar e enquadrar a
realidade social da época em que se realizou esta iniciativa
castrense.
O 25 de Abril havia acontecido quase precisamente oito anos
antes. A sociedade começou a abrir-se a novas realidades (nem
sempre as melhores), nomeadamente na cidade de Lisboa.
Anexo ao edifício do Coliseu dos Recreios existia à data uma
espécie de cubículo, que no exterior anunciava um espetáculo do
tipo das “mil e uma noites”.
Quem a tal estivesse disposto poderia, mediante a introdução de
uma moeda de 10 escudos numa ranhura da porta do cubículo,
espreitar através de um óculo durante um certo tempo pré-
programado e assistir “on-line” às habilidades de umas tantas
odaliscas dos tempos modernos…
Era este o enquadramento do local onde os Ganhões
presumivelmente foram encontrados.
Disseram as “más línguas” da altura, que alguns dos nossos
conterrâneos lá iam à vez metendo a moedinha!...
Para gente que não estava habituada a estas “modernices” é
natural que se tenha generalizado algum descontrolo nos
horários…
Bem…, mas o que interessa é que às 4, cumprindo o que estava
programado, o Grupo lá estava em cima do palco para mais uma
bela atuação, muito aplaudida pelos castrenses e seus amigos
convidados, que enchiam o Salão Nobre da Casa do Alentejo.
Fica aqui registada a recordação desta Semana magnífica…
(credito Fernando Maruta)
convívio pelo José Francisco Colaço Guerreiro e também com a
publicação do respetivo folheto que anunciava a realização dessa
Semana do Concelho de Castro Verde na Casa do Alentejo em
Lisboa, não há que deixar passar a oportunidade de relatar
algumas das particularidades que envolveram a sua realização e
também uma história engraçada que ocorreu por essa ocasião.
Nessa semana de Abril de 82 a Casa do Alentejo era como que
uma extensão da vila de Castro, tal o ambiente bairrista que se
conseguiu criar no seu interior. Há que realçar o excelente
trabalho e empenho do Colaço Guerreiro, que foi, diga-se, o
grande impulsionador desta inesquecível Semana.
Por quase todo o interior do magnífico edifício havia motivos
alusivos a Castro Verde e ao seu concelho. Mas foi no átrio, ao
nível do 1º andar, que se situaram as melhores representações
do ambiente alentejano e castrense.
Aí estava colocada uma maqueta, em tamanho natural, de uma
parte de uma cozinha típica da nossa terra, onde não faltava
nada do que se possa imaginar numa cozinha de uma casa de
um simples assalariado rural daquelas e anteriores épocas.
Quem se aproximasse da zona da sua chaminé e se desligasse
do ambiente circundante do átrio do edifício, sentia-se como se
estivesse nesse momento numa cozinha real em Castro. Todos
os visitantes adoraram a obra.
Nesse átrio acamparam durante a semana, num pequeno redil
com a respetiva palha, duas ovelhas levadas propositadamente
de Castro. Fizerem também as delícias dos visitantes.
Lá estavam as bancas da Somincor e da Castra Castrorum (onde
passei algumas horas durante a semana).
O jogo de futebol que se referencia no folheto (de que fui um dos
organizadores), realizou-se no campo do Futebol Benfica.
Foi um bom convívio entre todos os participantes apesar do
resultado desnivelado para uma das partes.
Vamos agora à história que refiro no início deste escrito.
No último dia da iniciativa – sábado, 17 Abril – logo a seguir ao
almoço convívio, realizou-se uma espécie de tarde cultural.
De entre os vários participantes, constava a atuação do Grupo
Coral Os Ganhões de Castro Verde, programada para as 4 da
tarde.
Com o aproximar dessa hora não se vislumbravam Ganhões no
interior do edifício.
Foi dado o alarme geral. Ninguém sabia onde estavam os
elementos do Grupo.
Às tantas lá aparece alguém que os descobriu!...
Parece que se encontravam na zona do Coliseu dos Recreios,
que ficava (e fica) na mesma rua e a cerca de 50 metros da Casa
do Alentejo.
Vou abrir aqui um parêntese para contextualizar e enquadrar a
realidade social da época em que se realizou esta iniciativa
castrense.
O 25 de Abril havia acontecido quase precisamente oito anos
antes. A sociedade começou a abrir-se a novas realidades (nem
sempre as melhores), nomeadamente na cidade de Lisboa.
Anexo ao edifício do Coliseu dos Recreios existia à data uma
espécie de cubículo, que no exterior anunciava um espetáculo do
tipo das “mil e uma noites”.
Quem a tal estivesse disposto poderia, mediante a introdução de
uma moeda de 10 escudos numa ranhura da porta do cubículo,
espreitar através de um óculo durante um certo tempo pré-
programado e assistir “on-line” às habilidades de umas tantas
odaliscas dos tempos modernos…
Era este o enquadramento do local onde os Ganhões
presumivelmente foram encontrados.
Disseram as “más línguas” da altura, que alguns dos nossos
conterrâneos lá iam à vez metendo a moedinha!...
Para gente que não estava habituada a estas “modernices” é
natural que se tenha generalizado algum descontrolo nos
horários…
Bem…, mas o que interessa é que às 4, cumprindo o que estava
programado, o Grupo lá estava em cima do palco para mais uma
bela atuação, muito aplaudida pelos castrenses e seus amigos
convidados, que enchiam o Salão Nobre da Casa do Alentejo.
Fica aqui registada a recordação desta Semana magnífica…
(credito Fernando Maruta)
terça-feira, 18 de agosto de 2020
segunda-feira, 17 de agosto de 2020
DIÁRIO
23/11/1979 - Fui à Direção Geral do Património Cultural ( Biblioteca Nacional)
Conversei com a Drª Nídia que prometeu arranjar-me elementos para o estudo do nosso património. Falámos acerca dos monumentos nacionais do nosso concelho e ela disse-me que só a Igreja de São Miguel e o "Castro" de Castro Verde estavam registados. Incitou-nos a tratar do registo dos outros monumentos.
domingo, 16 de agosto de 2020
GRUPO CORAL
22/11/1979 - Fui à Secretaria de Estado da Cultura com o Zé Maruta. Contatamos o Sr. Madeira Luis da Animação Cultural e o Sr. Guardado que prometeram fazer os possíveis para nos darem apoio para conseguirmos a desejada gravação de um disco do nosso Grupo Coral.
sábado, 15 de agosto de 2020
A MESMA RAIZ : OS CARAPINHAS
A MESMA RAIZ : OS CARAPINHAS: "OS CARAPINHAS" de Castro Verde Escola de Cante Alentejano criada em 17/3/1987 pela Castra Castrorum
sexta-feira, 14 de agosto de 2020
DIÁRIO
15/11/1979 - Tenho prontas as cartas para os orgãos de informação, Presidente da Câmara , Sociedade e Clube. Fui ter com o Zé Francisco Costa mas ele não foi hoje ao serviço.
Fiz o rascunho de cartas para empresas solicitando a sua colaboração com prémios para atribuirmos na prova de atletismo que pensamos organizar pelo Natal em Castro.
Pensou-se em fazer a gravação de um disco ou cassete do Grupo Coral.
quinta-feira, 13 de agosto de 2020
quarta-feira, 12 de agosto de 2020
COMENTÁRIO de Abílio Pereira de Carvalho
Neste tempo ”digitalizado”, de ágeis polegares a matraquear “sms” ou a fazer deslizar o ecrã dos telemóveis e smartphes para cima e para baixo, trazer à luz dos tempos que correm a forma como se divulgavam conheciment…Ver mais
terça-feira, 11 de agosto de 2020
RETOMA
PARALELAMENTE à criação do Grupo "CASTRA CASTRORUM" no Facebook no dia 6 de agosto de 2020, voltamos a partir de hoje a dinamizar este blogue
Jose Guerreiro
Administrador · 3 d
Neste espaço vão publicar-se trabalhos e iniciativas desenvolvidas no âmbito da "Castra Castrorum" , associação criada para divulgar e dinamizar o património natural e cultural do concelho de Castro Verde.
Vamos situar-nos entre 31/10/1979 ( data em que levámos à pratica a ideia) e 15/9/1988 ( data em que suspendemos as atividades para as integrarmos na CORTIÇOL - Cooperativa de Informação e Cultura, CRL entretanto criada em Castro) e daremos a conhecer a quantos nos seguirem , parte da história e da vida do nosso concelho.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
A CONDESSA
As gentes de Castro sempre ouviram falar de uma tal Condessa que teria haveres fundiarios nos arredores da vila e dela seria um poço situado logo abaixo do Largo da Feira , assim como, toda a zona urbanizada, pelo Bairro da Condessa.
Trata-se da Condessa de Avilez a cujo propósito transcrevemos o testamento seguinte:
1
Testamento de José Joaquim Salema de Andrade Guerreiro de Aboim
Nota introdutória
No dia 9 de maio de 1856, o escrivão da Administração do Concelho de Castro Verde, Manuel da Mata Janeiro, deslocou-se ao Palácio da Carreira, em Santiago do Cacém, para redigir o testamento do fidalgo José Joaquim Salema de Andrade Guerreiro de Aboim que, por essa altura, já se encontrava bastante doente e acamado. Esta é a génese do documento agora em análise que, além da importância histórica do testador para Santiago do Cacém, contribui para um melhor conhecimento da evolução de algumas propriedades rurais e edifícios históricos do concelho, explicando igualmente as razões por que a poderosa família dos Condes de Avillez se instalou em Santiago do Cacém em meados do século XIX.
2
José Joaquim Salema de Andrade Guerreiro de Aboim – Breve biografia
José Joaquim Salema de Andrade Guerreiro de Aboim nasceu em 1782, em Santiago do Cacém, sendo batizado no oratório da casa de seus pais, na mesma localidade, em 2/9/1782. Foi sua madrinha D. Madalena Vicência de Mascarenhas, filha do 3.º marquês de Fronteira e viúva de Luís Guedes de Miranda Henriques, senhor de Murça e 8.º morgado do vínculo instituído pelos Pantoja em Santiago do Cacém1. Seu pai, José Joaquim Salema de Andrade, então capitão-mor de Santiago do Cacém, era o 6.º morgado do vínculo dos Raposos e sua mãe, D. Maria Perpétua Rosa de Aboim Guerreiro, era filha do capitão-mor de Mértola, João Camacho Guerreiro de Aboim, senhor da Casa de Espargosa. Os dois vínculos acabariam por ser herdados por José Joaquim Salema de Andrade Guerreiro de Aboim.
A família Salema de Andrade possuía as terras da Carreira junto ao secular arruamento do mesmo nome que, no início do século XX, receberia o nome “Rua Condes de Avillez” e onde o 6.º morgado dos Raposos mandaria construir, 3 anos depois do nascimento do filho, o Palácio da Carreira, o mais belo edifício neoclássico do Centro Histórico de Santiago do Cacém. Esta casa seria herdada, ainda em construção, por José Joaquim Salema de Andrade Guerreiro de Aboim, que concluiu a obra em 1808. Neste último ano, José Joaquim de Aboim ocupava o cargo de capitão-mor de Santiago do Cacém (tal como o seu pai e o seu avô antes dele), tendo sido eleito, pelos três estados (clero, nobreza e povo), como presidente da Junta de Governo de Santiago do Cacém, que organizou a resistência contra os invasores franceses entre a margem sul do Rio Sado e Sines.
Ocupou diversos cargos públicos na vila de Santiago do Cacém, incluindo a presidência da Câmara, que exerceu várias vezes. Distinguiu-se durante as lutas pela implantação do liberalismo, tendo perfilhado, depois da Guerra Civil de 1832-34, os ideais setembristas, da ala mais à esquerda no espectro político liberal. Estava alinhado neste partido durante a Guerra Civil Patuleia (1846-1847), tendo sido, junto com o seu sobrinho conde de Avillez, um dos mais ilustres membros deste movimento em Santiago do Cacém, alvo da vigilância constante das forças cartistas e cabralistas.
José Joaquim de Aboim foi um homem de grande cultura e sensibilidade artística, senhor de uma imensa fortuna fundiária. Faleceu solteiro, no seu Palácio da Carreira, em 9/4/1862.
1 Ver O Morgadio dos Pantoja em: http://www.cm-santiagocacem.pt/viver/Cultura/EspacosCulturais/ArquivoMunicipal/Documents/estudo_matriz_morgadio_pantoja.pdf
3
O Testamento
José Joaquim Salema de Andrade Guerreiro de Aboim começou por ditar, ao escrivão Manuel da Mata Janeiro, como era normal neste tipo de documentos, um conjunto de obrigações pias, materializadas em missas, tanto pela sua alma, como pela dos seus familiares mais próximos e já falecidos. Designou, para seu testamenteiro, o sobrinho, por afinidade, Jorge de Avillez Juzarte de Sousa Tavares, 2.º conde de Avillez, que devia zelar pelo cumprimento integral das suas últimas vontades. Mais adiante, indica que, por eventual impedimento deste primeiro testamenteiro, nomeava o 3.º conde de Avillez, Jorge Salema de Avillez Juzarte de Sousa Tavares, se este, ao tempo do seu falecimento, “ (…) tiver já a idade legal (…)”2.
Os principais herdeiros designados no seu testamento eram os filhos da sua falecida sobrinha, D. Maria Francisca Mafalda Rita Salema de Andrade Vila Lobos Guerreiro de Aboim, e de seu esposo, o 2.º conde de Avillez: Jorge, 3.º conde; José Maria Salema de Avillez e D. Maria Francisca Salema de Avillez. Ao primeiro, que indicava por imediato sucessor dos vínculos de que era administrador, deixava ainda os bens que, não estando vinculados, andavam juntos à Casa de Espargosa; a Herdade da Tissona, em Castro Verde e metade da Quinta do Rio da Figueira, junto à vila de Santiago do Cacém, com a obrigação de que nunca poderia ser arrendada a outro que não a José Maria Salema de Avillez.
José Maria Salema de Avillez herdava o Palácio da Carreira, designado como a sua Casa Nobre, “ (…) com todas as suas pertenças e ferre-/ jaes a ella annexas (…)”3; recebendo ainda, em Santiago do Cacém, a Courela Grande “ (…) nos Coutos d’esta Villa (…)”4, a Courela do Fidalgo e a das Vinhas, assim como o Pomarinho, o Monte do Alto e todos os foros que cobrava por habitações e terras que possuía em Santiago do Cacém. Neste concelho, José Maria de Avillez herdava também a Quinta das Relvas em S. Bartolomeu “ (…) dita da Mattinha (…)”5, assim como as herdades do Telheiro, do Vale da Cruz e do Viegas. Finalmente, este herdeiro recebia ainda todos os bens e rendimentos que José Joaquim Guerreiro de Aboim possuía em Serpa.
D. Maria Francisca Salema de Avillez herdava as herdades do Monte Velho e da Ortiga, o palácio na Lapa, em Lisboa, e a Quinta da Ferraria em Óbidos.
A criadagem era contemplada no testamento, deixando disposto que todos “(…) os/ Criados que se acharem servindo a/ sua caza na epocha do seu falle-/ cimento (…)”6 deveriam
2 PT/AMSC/AL/CMSC/B-A/001/3/f.39v.
3 Idem, f. 37v.
4 Ibid.
5 Ibid. f. 38.
6 Ibid. f. 39.
4
receber 9.600 réis cada um. No entanto, alguns eram contemplados com especial atenção: à “ (…) Criada Antonia que/ serve ha mais de trinta annos (…)”7, seu sobrinho-neto, 3.º conde de Avillez, ficou obrigado a fornecer anualmente três quarteiros de trigo, um porco de cinco arrobas e cinco alqueires de azeite; à criada Maria da Conceição ficava José Maria Salema de Avillez com semelhante obrigação, devendo também fornecer anualmente um quarteiro de trigo a outra criada de nome Maria Francisca, que devia ter o usufruto vitalício de uma habitação que o testador possuía na aldeia de S. Bartolomeu da Serra. Por último, a criada Matilde, residente no Monte do Viegas, era contemplada com o usufruto vitalício de uma casa na aldeia de S. Domingos, ficando o 3.º conde de Avillez obrigado a fornecer-lhe anualmente um quarteiro de trigo.
O testamento faz ainda referência a uma outra herdeira, Catarina Maria Francisca, afilhada de Joaquim Francisco Salema de Andrade Guerreiro de Aboim, irmão mais novo do testador. Esta recebia uma casa na rua Direita, na vila de Santiago do Cacém, e a Quinta Velha nos arredores. Recebia também as herdades de Vale de Cativos e Alcarial em S. Domingos.
Manuel do Espírito Santo Guerreiro, futuro marido de Catarina e pai da poetisa Alda Guerreiro, é também referido no testamento, ficando o 3.º conde de Avillez obrigado a pagar-lhe a remuneração devida pelo seu trabalho.
Os afilhados do testador, não identificados no documento8 que apenas utiliza a expressão: “(…) deixa/ a todos os seus afilhados (…)9”, deveriam receber a soma de 19.200 réis. Finalmente, José Joaquim de Aboim deixava disposto que, no dia do seu funeral, fossem distribuídas esmolas pelos pobres “(…) de vinte cinco a/ trinta moedas de quatro mil e oito/ centos reis.”10, assim como que fossem distribuídos, em partes iguais, três moios de trigo, no Monte da Espargosa, na vila de Castro Verde e na vila de Santiago do Cacém.
7 Ibid. f. 37v.
8 Dos três herdeiros principais, só o 3.º conde de Avillez não era diretamente afilhado do testador, mas fora este que representara a madrinha, Nossa Senhora do Monte, na cerimónia de batismo.
9 Ibid. f. 39.
10 Ibid. f. 38v.
5
Conclusão
José Joaquim Salema de Andrade Guerreiro de Aboim era o último da sua linhagem e, dos seus quatro irmãos, só D. Mariana Rita Salema de Andrade Vila Lobos Guerreiro de Aboim tinha descendência: Maria Francisca Mafalda Rita Salema de Andrade Vila Lobos Guerreiro de Aboim, nascida do casamento com João de Aboim Pereira Guerreiro, Juiz de Fora de Santiago do Cacém.
D. Maria Francisca Mafalda Rita Salema de Andrade Vila Lobos Guerreiro de Aboim, condessa de Avillez, viria a morrer antes de seu tio, pelo que os bens da Casa dos Salema de Andrade, de Santiago do Cacém, e dos Guerreiro de Aboim, de Mértola, acabariam por ir parar à posse dos seus filhos.
Dos três sobrinhos-netos do testador, apenas o conde de Avillez optaria por manter residência em Santiago do Cacém, adquirindo alguns dos bens herdados pelo seu irmão José Maria. A Quinta do Rio da Figueira, hoje parque urbano, passaria, a partir daqui, a estar associada aos condes de Avillez e ao seu herdeiro Jorge Ribeiro de Sousa.
José Maria de Avillez acabaria por vender a Quinta das Relvas, em S. Bartolomeu, com o seu belo e emblemático edifício, ao fidalgo José de Sande Champalimaud. O Palácio da Carreira também não tardaria a ser vendido.
No início do documento em análise, José Joaquim de Aboim expressa a intenção de mandar construir uma capela junto ao Palácio da Carreira, para nela ser sepultado. Porém, não há memória da construção do edifício e o corpo do Capitão-Mor acabaria por ser sepultado no túmulo brasonado que o próprio mandara edificar no cemitério do Castelo para sepultar sua irmã D. Mariana Rita, e onde também repousava seu irmão Joaquim Francisco Salema de Andrade Guerreiro de Aboim.
Gentil José Cesário/CMSC – 2013.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
PAU ROXO
PAU ROXO
Ao redor de Castro , em lugares definidos por razões ocultas, erguem-se
capelas, igrejinhas que resistem há muitos séculos ao esmeril do tempo e ao
esquecimento dos devotos que as ergueram
e branqueavam de cal pelo menos uma vez em cada ano, por ocasião da festa do
patrono respectivo.
A escolha do sítio onde foram implantadas resulta ,na
maioria dos casos, da preexistência no mesmo lugar de altares ou simples
práticas de culto a divindades que os povos de antanho reconheciam como suas protectoras, antes da vinda e acampamento dos cristianos.
Assim foi em S. Pedro
das Cabeças, assim terá também sido em S.Martinho e quem sabe se o não foi
igualmente em S. Sebastião,aqui à saída da vila, quando se toma a antiga
estrada dos Geraldos, direito ao olival.
Certo é que em 1510,segundo as crónicas, esta ultima capela,
feita de pedra e barro e com altar de
taipa, coberta por telha vã e habitada
por um só santo esculpido em pau, estavam já, ela e o morador a ceder ao peso
dos anos, mostrando sinais evidentes da
antiguidade de ambos.
Em cada vinte de Janeiro, lá acorria toda a vizinhança deste
lugar para rezas e pagamento de
promessas anuais feitas ao santo mártir. Fitas, azeite e depois velas de muitos
tamanhos e feitios, lá ficavam em acção de graças pelos benefícios vindos
através das suplicas . Muitos fregueses, fazem freguesia e a freguesia encanta
os comerciantes que à margem da fé, mas aproveitando-se dela, lá iam também
para armar a esparrela .
Deste jeito ou doutro idêntico , nasceu naquele lugar um
arraial, um mercado, uma feira.
Lugar de fé e de venda.
Arredia da vila, a meia ladeira de um cerro, em sítio
descampado como também convinha para o maior negócio que ali se fazia.
Porcos aos milhares, gordos com a bolota de todos os
montados das redondezas, para ali convergiam e aguardavam que os negociantes os
comprassem às varas.
Ao redor do santo estendia-se um mar de lombos pretos,
deitados, arriados pelo peso das
arrobas de carne postas na engorda e pelo cansaço das léguas andadas no
caminho. No ar , misturava-se um cheiro intenso com um
grunhido ensurdecedor. Os
porcariços andavam numa fona, despejando gorpelhas de palha e saquilhadas de
cevada no chão. Depois corriam com os caldeirões para as bicas para encherem os
maceirões de água que não aturavam .
È tempo de matança e também a gente das redondezas mais
desafogada vinha ao santo comprar o que
no chiqueiro não tinha. Depois lá iam a caminho de casa atrás de um porco
,seguro por uma corda laçada na pata.
Mas nesta ocasião, é tempo de plantio de arvoredo. Tudo o
que numa horta convém ter, aqui ainda se encontra. Também para os quintais ,as
laranjeiras e os limoeiros é sempre bom ter. Para dispor nas leiras, braçados
de cebolinho .Para a vinha ou para pôr num alegrete, vende-se o bacelo de
qualidade.
Nesta ocasião, vendiam-se calendários, almanaques, bordas
d´água e pagelas com décimas feitas a propósito da ultima desgraça ou de alguma
marotice intemporal.
À abrigada da igrejinha, estendiam-se toldos onde várias
carroças serviam de venda e despejavam garrafões e garrafões do novo. Depois
à vinda, ao levantar da feira,
desfilavam bebedeiras de ladeira a baixo, homens sem negócio que iam de gangão
e algibeiras vazias.
Mas neste dia come-se pau roxo.
Vende-se aqui e no Santo Amaro em Almodovar, não vi noutra
banda.
Cenouras grandes e tintas como a beterraba. Eram aos montes
,agora são contrabando, mas mesmo assim, a feira ainda é delas.
Compra-se uma ou duas, por graça. Os moços já não gostam e
os mais velhos não têm dentes que as rilhem. Nesta maré era o petisco corrente
nas tabernas. Em casa comiam-se cruas, às rodelas, com o mesmo jeito dos
rábanos e havia quem as cozesse e temperasse com vinagre. Guardavam-se também
para o tarde em frasquinhos como os
picles.
A moçada aproveitava para fazer o abastecimento de
estalinhos, bombas, bichaninhas, pedorreiras, serpentinas e papelinhos.
Compravam-se bisnagas de água e com as bicas mesmo ali à
mão, mesmo que não chovesse, voltavam da feira como pintos.
De casa muitas vezes já se traziam bexigas de porco
,sopradas e atadas com linha de meia.Com um alfinete na ponta, penduravam-se à
socapa nas costas dos passantes. Eram os "rabos".Também se faziam de
papel recortado. E punham-se escritos da mesma maneira Tinha graça. Toda a gente ria.
Embora sem porcos, sem tanta promessa nem tanto pau roxo,
o" santo" ainda é hoje um mercado de tradição onde lado a lado com a
venda de cassetes se compram chocalhos e coleiras para o gado ,vendem-se
farturas mas também se encontra o que faz falta para plantar na horta.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
UMA RELÍQUIA
Esta velha fotografia de grupo foi tirada há mais de 50 anos e reúne os vendedores do antigo mercado, alguns ainda nossos conhecidos
HÁ 30 ANOS
Em Junho de 1983 organizámos, no âmbito das atividades da "Castra Castrorum" , uma exposição fotográfica subordinada ao tema " Castro Verde antigo"
Reproduzimos imagens de alguns visitantes que nos visitaram no dia da inauguração da exposição
quarta-feira, 3 de julho de 2013
terça-feira, 25 de junho de 2013
segunda-feira, 24 de junho de 2013
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